Agroecologia


Existem hoje vários conceitos sobre agroecologia. Tem gente que fala de agricultura orgânica, agricultura pura, agricultura biodinâmica. Mas a idéia da agroecologia é muito mais ampla. Além de falar da terra, de produção, fala de preservação de meio ambiente, de responsabilidade social e de responsabilidade econômica. Traz conceitos de respeito à vida em todas as suas formas. E é neste contexto que entra o respeito ao solo, considerado por algumas ramificações da agroecologia, como o maior organismo vivo do planeta. Considerado por outras, o próprio gerador da vida.
A agroecologia é um sistema de produção que procura imitar os processos como ocorrem na natureza, evitando romper o equilíbrio ecológico que dá a estabilidade aos ecossistemas naturais. É uma tradição fundada em conhecimentos praticados pela maioria das culturas antigas em todo o mundo e pelas comunidades que vivem em contato mais próximos com a natureza. O princípio fundamental da agroecologia é considerar a propriedade agrícola como um todo. É muito importante entender que deve haver interação entre todos os seres vivos. As plantas devem relacionar-se com os microorganismos que produzem nutrientes, com as minhocas que soltam o solo para que as raízes se desenvolvam, com os insetos que servem de alimento para os inimigos naturais. Nas propriedades em que se trabalha a agroecologia é muito normal ver todo o tipo de organismo como insetos, aranhas, lesmas, nematóides, bactérias, fungos e algas. Sabe-se que todos os seres possuem papel importante no equilíbrio deste ecossistema.
No cultivo orgânico não basta eliminar o uso de agrotóxicos. Esta é somente a primeira medida para recuperar o equilíbrio biológico natural. O reequilíbrio do solo e a busca pela biodiversidade original são outros passos importantes que devem ser dados logo no início da modificação da propriedade. Felizmente a Natureza é tão poderosa que é capaz de regenerar-se quase que por completo em dois ou três anos de manejos adequados. E neste processo que o agricultor tem uma importantíssima participação: a assimilação dos conceitos orgânicos de responsabilidade social, econômica e ambiental. A organização, a cooperação e o trabalho em grupo também são necessidades básicas para a construção de uma propriedade agroecológica.

Agrotóxicos: o veneno da Terra
Sabe-se que não existe a utilização de agrotóxicos numa mata inicial, numa floresta. Todos os processos microbiológicos que acontecem, as relações entre insetos, microorganismos, bactérias, fungos, entre as plantas e animais nunca tiveram a interferência de agroquímicos. Estes produtos só começaram a ser utilizados porque o homem retirou todo o equilíbrio do sistema que existia anteriormente. A falta do equilíbrio criou diferença nas relações, facilitando o aparecimento de pragas e doenças. Neste momento o homem passou a utilizar o agroquímico para tentar resolver um problema que já existia, um problema que deveria ser resolvido com o reequilíbrio do sistema. Surgiu um problema maior: quanto mais agroquímicos forem usados, mais desequilíbrio se cria. Surge um ciclo vicioso de problemas. O engenheiro agrônomo confirma este ciclo maléfico. “Infelizmente, no manejo convencional, os produtores acabam matando toda a vida do solo e a cada ano precisam utilizar mais insumos, por causa do desequilíbrio que causaram, e assim matam mais e mais a vida do solo. Os agricultores ficam dependentes dos agroquímicos, dos adubos químicos. É um processo que nunca acaba”. E o pior é que muitos dos pesticidas ainda utilizados no Brasil estão proibidos em vários países, devido às suas conseqüências nocivas para a saúde humana.

O Sistema de produção orgânica
Uma das principais preocupações da agricultura orgânica é com o solo. A manutenção da fertilidade do solo é feita com processos biológicos, que equilibram e harmonizam o ambiente. Os fertilizantes sintéticos, agrotóxicos e outros produtos químicos são eliminados por completo desta forma de produção. A agricultura orgânica utiliza somente insumos naturais renováveis. Os adubos orgânicos são feitos a partir da decomposição, por microorganismos, de palhas, estercos e outros resíduos. O resultado da utilização destes produtos aumenta a vida do solo e torna as plantas muito mais vigorosas.
A agricultura orgânica preserva sementes por muitos anos e impede o desaparecimento de espécies, pois incentiva as culturas mistas e fortalece o ecossistema. Assim, a fauna permanece em equilíbrio e todos os seres permanecem em harmonia, graças à não utilização de agrotóxicos. Uma planta que cresce em condições ideais, normalmente, é mais resistente aos variados eventos climáticos e biológicos que se sucedem. O cultivo pode até alimentar outros seres vivos sem se afetar exageradamente.
Seria utopia achar que é só oferecer trabalho ao homem no campo, sem considerar a questão econômica. Normalmente, nas propriedades orgânicas o trabalhador rural é parceiro no trabalho realizado na fazenda. Existem vários tipos de parceria: além de o trabalhador ter um salário fixo, pode ganhar um percentual da produção. Schiavinato explica que na Fazenda Sula o trabalho é feito num sistema de meação. “Cinqüenta por cento do lucro da lavoura são divididos. O que eu dou? Dou a infra-estrutura produtiva. O que ele me dá? O trabalho, a mão-de-obra. No final a gente divide todos os lucros”.
Outra questão importante está relacionada à saúde do trabalhador rural e dos consumidores. A agricultura orgânica ajuda a diminuir o envenenamento causado por agrotóxicos, situação que prejudica milhões de agricultores no mundo inteiro. Alimentos sem agroquímicos não causam problemas de saúde para quem os consome. “Os produtos orgânicos possuem, em média, 40% a mais de nutrientes do que os produtos convencionais”.

Vantagens do consumo de produtos agroecológicos
Existe um extenso debate sobre os preços dos produtos orgânicos, relacionando-os a questões técnicas como produtividade, custo de produção e oferta geral dos produtos. Daí a necessidade de se levantar algumas questões para reflexão: o alimento orgânico não é mais caro que o alimento convencional se for considerada, indiretamente, a redução das despesas com médicos e medicamentos, pois alimentos orgânicos não contêm substâncias tóxicas nocivas à saúde. É importante observar quantidade de nutrientes, vitaminas e sais minerais que os alimentos orgânicos possuem a mais do que os convencionais, além da garantia de não se consumir alimentos geneticamente modificados.
Ao optar por produtos orgânicos, as pequenas propriedades poderão manter-se sem assumir dívidas pela compra de defensivos tóxicos. Nos solos balanceados e fertilizados com adubos naturais, as plantas crescem mais saudáveis e mantém suas características originais, produzem alimentos mais nutritivos e saborosos. A agricultura orgânica não está apenas associada aos conceitos de saúde e qualidade de vida, mas também à distribuição de renda, justiça e democracia, além dos ganhos ambientais.

Nota: para ler a matéria completa, favor acessar: www.ecoterrabrasil.com.br

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