terça-feira, 9 de julho de 2013

Insustentabilidade dos agrotóxicos




O Brasil é o campeão mundial no uso de agrotóxicos no cultivo de alimentos. Cerca de 20% dos pesticidas fabricados no mundo são despejados em nosso País. Um bilhão de litros ao ano: 5,2 litros por brasileiro!
Ao recorde quantitativo soma-se o drama de autorizarmos o uso das substâncias mais perigosas, já proibidas na maior parte do mundo por causarem danos sociais, econômicos e ambientais.

Pesquisas científicas comprovam os impactos dessas substâncias na vida de trabalhadores rurais, consumidores e demais seres vivos, revelando como desencadeiam doenças como câncer, disfunções neurológicas e má formação fetal, entre outras.

Aumenta a incidência de câncer em crianças. Segundo a oncologista Silvia Brandalise, diretora do Centro Infantil Boldrini, em Campinas (SP), os pesticidas alteram o DNA e levam à carcinogênese.

O poder das transnacionais que produzem agrotóxicos (uma dúzia delas controla 90% do que é ofertado no mundo) permite que o setor garanta a autorização desses produtos danosos nos países menos desenvolvidos, mesmo já tendo sido proibidos em seus países de origem.

As pesquisas para a emissão de autorizações analisam somente os efeitos de cada pesticida isoladamente. Não há estudos que verifiquem a combinação desses venenos que se misturam no ambiente e em nossos organismos ao longo dos anos.

É insustentável a afirmação de que a produção de alimentos, baseada no uso de agrotóxicos, é mais barata. Ao contrário, os custos sociais e ambientais são incalculáveis. Somente em tratamentos de saúde há estimativas de que, para cada real gasto com a aquisição de pesticidas, o poder público desembolsa R$ 1,28 para os cuidados médicos necessários. Essa conta todos nós pagamos sem perceber.

O modelo monocultor, baseado em grandes propriedades e na utilização de agroquímicos, não resolveu nem resolverá a questão da fome mundial (872 milhões de desnutridos, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura - FAO).

Esse sistema se perpetua com a expansão das fronteiras de cultivo, já que ignora a importância da biodiversidade para o equilíbrio do solo e do clima, fazendo com que as áreas utilizadas se degradem ao longo do tempo. Ele cresce enquanto há novas áreas a serem incorporadas, aumentando a destruição ambiental e o êxodo rural. Em um planeta finito, assolado por desequilíbrios crescentes, a terra fértil e saudável é cada vez mais preciosa para garantir a sobrevivência dos bilhões de seres humanos. Infelizmente não há meio-termo nesse setor. É impossível garantir a qualidade, a segurança e o volume da produção de alimentos dentro desse modelo degradante. Não há como incentivar o uso correto de pesticidas. Isso não é viável em um país tropical como o Brasil, em que o calor faz roupas e equipamentos de segurança, necessários para as aplicações, virarem uma tortura para os trabalhadores.

Há que buscar solução na transição agroecológica, ou seja, na gradual e crescente mudança do sistema atual para um novo modelo baseado no cultivo orgânico, mantendo o equilíbrio do solo e a biodiversidade, e redistribuindo a terra em propriedades menores.

Isso facilita a rotatividade e o consórcio de culturas, o combate natural às pragas e o resgate das relações entre os seres humanos e a natureza, valorizando o clima e as espécies locais.

Existem muitas experiências bem-sucedidas em nosso país e em todo o mundo, que comprovam a viabilidade desse novo modelo. Até em assentamentos da reforma agrária há exemplos de como promover a qualidade de vida, a justiça social e o desenvolvimento sustentável.





Sistema de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS)



O Sistema de Produção Agroecológica Integrada e Sustentável (PAIS) é uma tecnologia social de apoio à agricultura familiar, inspirada na experiência de pequenos produtores que optaram por fazer uma agricultura sustentável, sem uso de produtos tóxicos e com a preocupação de preservar o meio ambiente. O processo agrupa técnicas simples e já conhecidas por muitas comunidades rurais, que priorizam o desenvolvimento de um sistema de cultivo que pouco dependa de insumos externos à propriedade, de forma a promover a sustentabilidade em pequenas propriedades rurais. As principais técnicas utilizadas pelo PAIS são: o sistema de irrigação por gotejamento através do uso de uma caixa d`água acima da horta, para utilizar a força da gravidade e proporcionar eficiência e racionalização do uso dos recursos hídricos; integração de aves, pequenos animais, caprinos e bovinos ao sistema, de acordo com as vocações locais e regionais; utilização dos resíduos produzidos por esses animais como matéria-prima para produção de composto que será usado nas plantações; diversificação da produção para máximo aproveitamento dos nutrientes do solo e auxílio no controle de pragas e doenças; quintais agroecológicos para agregar mais valor à renda familiar, com a produção de frutas, raízes. A produção no PAIS é agroecológica porque dispensa o uso de ações danosas ao meio ambiente, como o emprego de agrotóxicos (adubo e veneno), queimadas e desmatamentos. É integrada por aliar a criação de animais com a produção vegetal e utilizar insumos da propriedade em todo o processo produtivo e sustentável, porque preserva a qualidade do solo e das fontes de água, incentivando o associativismo dos produtores e apontando novos canais de comercialização dos produtos, permitindo boas colheitas agora e no futuro.


http://www.fbb.org.br/portal/pages/publico/pubTema.jsp?codTemaLog=226

3 mitos que você sempre ouviu sobre a agroecologia - mas ninguém teve coragem de negar




Orgânico X Agroecológico, você sabe a diferença?


Por estarem intimamente ligados a questão do natural acabamos por confundir essas nomenclaturas. A mídia trata de colaborar com isso muito bem. Na verdade existe uma grande diferença entre alimento orgânico e alimento Agroecológico.

A agroecológia é a junção harmônica de conceitos das ciências naturais com conceitos das ciências sociais. Tal junção permite nosso entendimento acerca da Agroecologia como ciência dedicada ao estudo das relações produtivas entre homem-natureza, visando sempre a sustentabilidade ecológica, econômica, social, cultural, política e ética. Basicamente, a proposta agroecológica para sistemas de produção agropecuária faz direta contraposição ao agronegócio, por condenar a produção centrada na monocultura, na dependência de insumos químicos e na alta mecanização, além da concentração de terras produtivas, a exploração do trabalhador rural e o consumo não local da respectiva produção. Ou seja, as práticas agroecológicas podem ser vistas como práticas de resistência da agricultura familiar, ao processo de exclusão do meio rural e homogeneização das paisagens de cultivo. As práticas agroecológicas se baseiam na pequena propriedade, na mão de obra familiar, em sistemas produtivos complexos e diversos, adaptados às condições locais e em redes regionais de produção e distribuição de alimentos.

Portanto, não se pode pensar em Agroecologia como “ciência neutra”, já que há em suas pesquisas e aplicações claro posicionamento político. 

Ela se coloca como ciência comprometida e a serviço das demandas populares, em busca de um desenvolvimento que traga soluções sustentáveis para os diversos problemas hoje enfrentados na cidade e no campo.

Já o orgânico pode ser agroecológico ou não! Os produtos orgânicos não fazem uso de produtos químicos sintéticos ou alimentos geneticamente modificados. A filosofia dos alimentos orgânicos não se limita à produção agrícola, extendendo-se também à pecuária (em que o gado deve ser criado sem remédios ou hormônios), e também ao processamento de todos os seus produtos: alimentos orgânicos industrializados também devem ser produzidos sem produtos químicos artificiais, como os corantes e aromatizantes artificiais. Pode-se quase resumir toda sua essência filosófica num desprezo absoluto por tudo que tenha origem na industria química. 

Todas as demais industrias: mecânica, energética, logística, são admissíveis desde não muito salientes.
Produtos orgânicos costumam ser significativamente mais caros que os tradicionais, tanto por causa do maior custo de produção, quanto pelo seu marketing (que explora uma imagem de "apelo ecológico").

Além disso esses produtos por serem orgânicos, não os livra de serem produzidos nos moldes da agricultura convêncional ou da monocultura, eles apenas não usam da quimica como principal meio de combate pragas e fazendo uso dessa propaganda,"livre de agrotoxicos", juntamente com a midia do "selo verde" que é uma certificação que impede o pequeno produtor de comercializar seu produto como orgânico, que o mesmo alcança preços absurdos e atigem a um determinado tipo de consumidor, o de alto poder aquisitivo.

Por: M. humberto - Estudante de Agronomia UFAL/

Agroecologia

Ciência e Movimento Social



É a ciência ou a disciplina científica que apresenta uma série de princípios, conceitos e metodologias para estudar, analisar, dirigir, desenhar e avaliar agroecossistemas, com o propósito de permitir a implantação e o desenvolvimento de estilos de agricultura com maiores níveis de sustentabilidade. A Agroecologia proporciona então as bases científicas para apoiar o processo de transição para uma agricultura “sustentável” nas suas diversas manifestações e/ou denominações.
Miguel A. Altieri (Universidade da Califórnia, Campus de Berkley, EUA)

Uso de espécies vegetais como adubação verde



A tecnologia é recomendada para o pequeno produtor por exigir menor uso de insumos externos, principalmente fertilizantes e herbicidas. A produção e a multiplicação de sementes também podem ser feitas na propriedade, e a mão-de-obra familiar, em geral, é suficiente para manter as atividades necessárias à aplicação dessa tecnologia.

O uso de sistemas de manejo conservacionistas como o plantio direto, associado à rotação de culturas e emprego de plantas de cobertura e adubação verde, pode resultar em uma série de benefícios ao solo, como a redução da erosão pela ação de cobertura e agregação do solo; diversidade de espécies vegetais nos agroecossistemas; incrementos de nitrogênio por meio de fixação biológica (FBN) e incorporação de biomassa do solo; aumento da disponibilidade de fósforo via associação com micorrizas e atividade enzimática; acúmulo de nitrogênio e carbono no solo; maior eficiência na ciclagem de nutrientes; menor assoreamento de mananciais hídricos; redução do uso de combustíveis fósseis; flexibilidade nas operações de semeadura e de colheita; redução da dependência de insumos externos, principalmente, fertilizantes e herbicidas; menor risco ao meio ambiente; e maior possibilidade de lucro ao produtor.

No verão, as principais espécies de adubos verdes utilizadas são: mucuna preta (Mucuna aterrima), Crotalaria juncea, Crotalaria ocroleuca, Crotalaria spectabilis, Crotalaria paulina, feijão-de-porco (Canavalia ensiformis), guandu (Cajanus cajan), girassol (Helianthus annus), milheto (Pennisetum glaucum) e sorgo forrageiro (Sorghum bicolor); enquanto no inverno, são: aveia preta (Avena strigosa), nabo forrageiro (Raphanus sativus), ervilhaca (Vicia sativa) e ervilha forrageira (Pisus arvense). As espécies de adubos verdes podem ser usadas isoladamente ou em conjunto formando um coquetel. O coquetel de adubos verdes é a mistura de espécies de diferentes famílias, que possuam diferentes hábitos de crescimento (arquitetura da parte aérea) e ocupem diferentes estratos do solo (desenvolvimento do sistema radicular).